
Quando te vais, o meu corpo entra num estado tão obscuro e tenebroso que palavras não o podem explicar. Por fora, choro rios e rio choros. Mas por dentro, é um fogo imenso que se apaga com a cruel força dos teus olhos. Não me olhes, não. Não me mates outra vez. Vai sem olhar para trás, pode ser que doa menos. Talvez. Mas sem ti vem o Inverno, o vento cortante que me despedaça a cara, o frio que me gela os ossos e me prende o cérebro, é o fim da Primavera que dá lugar à maior treva de todas: a tua ausência. Como pode Deus deixar que te vás, e deixar-me aqui sozinho? Conhecer-me-á ele assim tão mal para não ver a dilecção desmesurada que por ti nutro? De que me vale esconder a verdade? Sinto-me a morrer, lábios de escorbuto e mãos de lepra. Sinto-me cego, vendo o mundo à minha frente. Surdo, apenas ouvindo o eco da tua voz: “adeus”. Sinto-me mal e pequeno, e tudo isto acontece só, mas só, quando te vais.
Muah.
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