sábado, 29 de dezembro de 2007

As Pombas


Desde o dia em que foste que voaram para fora daqui. Sentiram que não valia mais a pena viverem sem ti por perto. Ainda lhes ponho algum milho no chão, mas ele fica lá. É como se não gostassem de milho sem ser embalado pela tua mão velha e fria. Quem me dera ser como elas, fugir dos problemas. Quero criar asas, voar para longe, para ti. Estranho, choro tanto por ti nos lençóis mas ainda só te fui ver uma vez. Embala o milho, faz com que elas voltem. Quero vê-las no pátio, tontas, confusas, de um branco tão límpido como o cimento no chão. Fá-las voltar. Volta. Fazes-me falta avô, fazes-me falta.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Hoje não te vi em Oxford Street


Hoje, Oxford Street estava vazia, lojas fechadas, lixo que rastejava ruidosamente pela estrada. Vozes, não se ouvia nenhuma. Parecia que todos os londrinos tinham fugido para parte incerta. O céu estava ainda mais escuro do que o habitual, pronto a desfazer-se em gotas sobre o chão. O vento também soprava, exactamente na direcção contrária à minha, forte e frio. As mãos gelavam-me a cada passo que dava, o frio fazia-me vir as lágrimas aos olhos. Seria mesmo o frio?

Cheguei rapidamente a Oxford Circus, onde em tantas noites te encontrei, mala verde e casaco cinzento, a pentear o cabelo contra o vento, unica no meio de centenas de pessoas. Mas hoje, não estavas. Esperei 5, 10, 60 minutos. Gritei pelo teu nome, mas só o eco me respondeu. Andei de um lado para o outro da rua, nada. Senti chuva a escorrer pelo meu rosto abaixo, era chuva salgada e doía quando caía. Gritei, corri, puxei o cabelo de raiva. A chuva era cada vez mais forte e eu continuava no meio da rua deserta, à tua espera. Não aguentei mais, quis acordar. Nunca um sonho me pareceu tão real. Fui contra as paredes, belisquei-me. Continuei em Londres. Deitei-me na estrada de barriga para as nuvens. Tentei lembrar-me de ti, no meio da multidão, a sussurrares-me ao ouvido. Fechei os olhos, com a chuva a doer-me no corpo.

Acordei na minha cama, os lençois estavam gelados e eu, encharcado. O corpo está dorido, não tanto como o espirito.

Até me custa acreditar mas, hoje não te vi em Oxford Street.


Muah

domingo, 16 de dezembro de 2007


Quando te vais, o meu corpo entra num estado tão obscuro e tenebroso que palavras não o podem explicar. Por fora, choro rios e rio choros. Mas por dentro, é um fogo imenso que se apaga com a cruel força dos teus olhos. Não me olhes, não. Não me mates outra vez. Vai sem olhar para trás, pode ser que doa menos. Talvez. Mas sem ti vem o Inverno, o vento cortante que me despedaça a cara, o frio que me gela os ossos e me prende o cérebro, é o fim da Primavera que dá lugar à maior treva de todas: a tua ausência. Como pode Deus deixar que te vás, e deixar-me aqui sozinho? Conhecer-me-á ele assim tão mal para não ver a dilecção desmesurada que por ti nutro? De que me vale esconder a verdade? Sinto-me a morrer, lábios de escorbuto e mãos de lepra. Sinto-me cego, vendo o mundo à minha frente. Surdo, apenas ouvindo o eco da tua voz: “adeus”. Sinto-me mal e pequeno, e tudo isto acontece só, mas só, quando te vais.

Muah.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O princípio do fim

Que hoje chova pedra e se levantem tempestades. Que a terra trema e que das fontes jorre sangue. Que o Sol de cubra de vergonha e que a Lua fuja de horror.

Não, não foi Camões que nasceu. Fui eu que criei um blog.

Por aqui vão passar textos tão absurdos como o titulo deste hórrido espaço na Internet. Textos que vão causar as mais diversas sensações nos leitores, salientando o desespero, cólera, raiva e mágoa.

No entanto, estava destinado a acontecer. Na biblia dão-se os sinais do fim do mundo. Talvez este post seja um deles.

Se pensam que uso o disfemismo, estão enganados (as). Se Dante visse isto, mudava logo o seu Inferno por achar que era demasiado agradável.

Este é apenas um aviso. Se quiserem voltar aqui depois disto, não se esqueçam: foram avisados.

Muah