Ao David, que a poesia só se nega uma vez
Que belo é o empalidecer da carne,
a lividez dos olhos, o negrume dos
lábios e o enrijecer da pele!
Que sublime o cessar do movimento,
o fim dos respiros, a secura do
plasma e o fim do batimento!
Que jubilosos os funerais, os lutos,
os enterros e as cremações!
Que apoteóticos estes esfarelamentos
de ilusões!
'É louco!, dizem, julga a morte uma
alegria!'. Mas o que haverá de mais
alegre no mundo do que o fim
perpétuo e irrevogável da vida,
do que a triunfante capitulação
desta lânguida agonia?